"Podemos muito bem perguntar-nos: o que seria do homem sem os animais? Mas não o contrário: o que seria dos animais sem o homem?"Hebbel , Christian





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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Otite Externa

A otite externa, vulgarmente conhecida coo "infecção do ouvido", é uma condição caracterizada por inflamação do ouvido externo, incluindo canal auditivo. Resulta, mais frequentemente, de problemas subjacentes como alergias, ectoparasitas, materiais ou corpos estranhos, doenças de pele e doenças imunitárias. Estes problemas podem conduzir a um desenvolvimento excessivo de bactérias ou leveduras no canal auditivo. 
Algumas raças de cães apresentam maior susceptibilidade mas todos os cães estão em risco de sofrer uma otite externa. Entre as raças predispostas podemos encontrar os Cocker Spaniel, Labrador, Bulldog Inglês, Shar-Pei e Spring Spaniel, entre outros.

Como se manifesta?

  • Vermelhidão do pavilhão auricular ou do canal auditivo;
  • Coçar excessivo ou movimento com as patas em direcção ao ouvido;
  • Abanar constante da cabeça;
  • Sensibilidade ao toque, frequentemente devido a dor;
  • Alterações do comportamento como indiferença, depressão ou irritabilidade;
  • Tumefacção do pavilhão auricular ou canal auditivo;
  • Odor desagradável;
  • Acumulação de cerúmen castanho escuro;
  • Corrimento escuro ou amarelado;
  • Hemorragia ou corrimento semelhante a borras de café;
  • Perda de equilíbrio e/ou audição, bem como desorientação.

Como é tratada?

A redução da dor e inflamação é um aspecto chave no tratamento da otite externa. Isto porque a redução da inflamação melhora o conforto do animal e permite que os agentes antibiótico e antifúngico actuem no desenvolvimento das bactérias, leveduras e/ou infecções associadas.
Em todo o caso, o tratamento deve ser prescrito pelo médico veterinário do animal, para tenha uma acção adequada.

Como tornar o tratamento mais eficaz e rápido?

O tratamento da otite externa canina tem como base a eliminação do problema subadjacente e, na grande maioria das vezes, a utilização de uma suspensão terapêutica otológica.
De modo a aumentar a probabilidade de sucesso do tratamento devem ser consideradas algumas medidas:
  • Seguir atentamente as indicações dadas pelo médico veterinário;
  • Limpar, com uma compressa, o canal auditivo antes de cada aplicação da suspensão otológica;
  • Seguir a posologia recomendada, quer em dose, número de aplicações/dia e duração do tratamento.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Medicamentos humanos que prejudicam o teu cão

Qualquer pessoa que tome medicamentos que foram prescritos para outra pessoa põe a sua saúde em risco e isto também se aplica ao seu cão! Apesar de existirem muitos medicamentos que se podem administrar em pessoas e também em cães, as dosagens bem como os efeitos nem sempre são os mesmos.
Estes medicamentos são uma das maiores causas de envenenamento e muitos veterinários alertam para este problema. 
Se por vezes, as pessoas pensam que podem tratar dos seus cães com os medicamentos que elas próprias tomam, outras acontecem que o dono deixa cair a sua medicação ou deixa os comprimidos ao alcance do cão e este engole-os.
O importante a reter é que estes medicamentos podem causar doenças e pior, ainda, a morte do animal.

Passemos então a apresentar estes medicamentos:

  • Ibuprofeno

O Ibuprofeno (Brufen®, Trifene®) é o medicamento mais ingerido por cães. Muitas marcas fabricam comprimidos que possuem uma camada exterior doce que a torna particularmente irresistível aos nossos amigos de quatro patas. O ibuprofeno pode causar úlceras no estômago e insuficiência renal.


  • Paracetamol
O paracetamol é um analgésico extremamente popular que está presente em medicamentos comercialmente conhecidos como Ben-U-Ron®, Dafalgan® ou Panasorbe®. 
Em alguns casos, o médico veterinário pode prescrever paracetamol, mas em quantidades mínimas. 
Para termos noção, bastam, apenas, dois comprimidos para matar um cão de porte pequeno, visto  que os cães não possuem as enzimas hepáticas necessárias para a sua metabolização.
Assim, a ingestão de paracetamol pode resultar em danos no fígado e nos glóbulos vermelhos, impedindo-os de aportar oxigénio às células. 

  • Ácido Acetilsalicílico

Um dos medicamentos mais famosos à base de ácido acetilsalicílico é a Aspirina®. Cujo tempo de semi-vida (tempo desde a ingestão até à diminuição da sua concentração no sangue para metade do valor inicial) é de 8 h no cão. 
Os sintomas surgem após 5 h da ingestão e incluem depressão, vómitos, anorexia, hipertermia e aumento da frequência respiratória. Os vómitos podem ter vestígios sanguinolentos devido a ulceração gástrica que pode mesmo culminar em perfuração gástrica e choque. A aspirina pode também provocar uma hepatite tóxica e anemia.

  • Alprazolam

O Alprazolam (Xanax®) é um medicamento prescrito para diminuir a ansiedade e ajudar a dormir. A maioria dos cães que toma alprazolam fica sonolenta e cambaleante, no entanto alguns podem ficar muito agitados. Geralmente, os casos de ingestão deste tipo de medicamento ocorre por esquecimento do dono, que após tomar o seu comprimido se esquece deles ao alcance do animal.
Grandes doses de alprazolam podem baixar a pressão arterial podendo causar fraqueza ou mesmo colapso.

  • Pseudoefedrina

A pseudoefedrina é um composto descongestionante que pode ser encontrado em vários medicamentos para as constipações e sinusites, como Constipal® ou Sinutab®. Se for ingerida por cães, esta substância actua como estimulante, aumentando o batimento cardíaco, pressão arterial e a temperatura corporal. Pode também causar convulsões. Um comprimido contendo 30 mg de pseudoefedrina é suficiente para um cão pequeno exibir sinais de intoxicação e três comprimidos (120 gr) podem ser mortais.

  • Glipizida e Glibenclamida

Se o teu cão tiver diabetes, nem penses em medicá-lo com os teus medicamentos ou de outra pessoa que também tenha diabetes! Os medicamentos como o Minidiab® ou Glibenclamida Generis®, que são utilizados para o tratamento de pessoas diabéticas,  têm como principio activo glipizida ou glibenclamida e podem causar uma queda abrupta nos níveis de açúcar no sangue de um cão levando à desorientação, falta de coordenação e convulsões.

  • Derivados de Vitamina D
Os derivados de Vitamina D como calcitriol (Rocaltrol®, Calcijex®) e calcipotriene (Dovonex®), são utilizados para tratar uma ampla variedade de problemas humanos, incluindo psoríase, problemas na tiróide e osteoporose. No entanto, quando dado aos cães, mesmo em pequenas doses, estes podem causar picos fatais do nível de cálcio no sangue docão. Os sinais de toxicidade incluem perda de apetite, vómitos, aumento da urina e sede excessiva, devido à insuficiência renal.

  • Estrogénio e Progesterona


Queres evitar que o seu cadela fique gestante? Esterilize-a! Dar aos animais quaisquer tipo de contraceptivos humanos não é o mais saudável. Por outro lado, se os deixares “à mão de semear” o teu cão pode ter curiosidade e comê-los. Calma, felizmente em pequenas quantidades este medicamentos não costumam ser problemáticos. No entanto, grandes quantidades de estrogénio podem causar supressão da medula óssea e as fêmeas não esterilizadas têm um risco maior de sofrer efeitos colaterais.


De destacar que esta lista contém apenas os princípios activos mais comummente ingeridos por cães mas há ainda outros tantos que representam perigo para o seu cão.
Por isso, mantém o teu cão seguro e toma atenção a estas orientações:
  • Mantém sempre os medicamentos longe dos teus animais, a menos que seja especificamente instruído por um médico veterinário para dar a medicação;
  • Não deixes comprimidos num qualquer lugar a que um cão tenha acesso;
  • Se o animal ingerir algum medicamento não prescrito directamente para ele contacta um veterinário;
  • Nunca dês os teus medicamentos ao teu cão sem antes consultar um veterinário;
  • Evita o erro comum de administrar medicamentos pediátricos ao teu cão. Embora ambos muito sensíveis, são fisiologicamente diferentes.
Se por acaso o teu cão ingeriu algum fármaco, não hesites e corre para o veterinário. O tempo joga contra ti!

Fonte: https://www.doglink.pt/artigos/medicamentos-humanos-um-perigo-para-o-seu-cao

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Investigador de Viseu descobre novo virus canino

Um novo vírus canino foi descoberto por um docente da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Viseu (IPV), no âmbito de um projeto internacional, anunciou hoje a instituição.

Intitulado «Novo norovirus canino: aspetos moleculares, epidemiológicos e patogénese», o projeto foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

O IPV explica, em comunicado, que os «norovirus» humanos «são hoje reconhecidos como a mais frequente causa de gastroenterite aguda por surtos alimentares e a causa mais comum de doença entérica (dos intestinos) esporádica, superando qualquer agente bacteriano».

A sua mais importante via de transmissão é o contacto pessoa a pessoa e o consumo de alimentos contaminados, mas era também equacionada a possibilidade de transmissão de animais para o homem.
«Até muito recentemente nada se sabia sobre a existência destes vírus em cães, os quais representam um elevado risco de transferência zoonótica, dado o seu contacto próximo com os humanos em muitas sociedades de todo o mundo», refere o IPV.

Após «um exaustivo estudo» para avaliar «o papel da população de cães como reservatório animal para "norovirus" no homem», a descoberta acabou por ser feita por João Mesquita, investigador da Escola Superior Agrária de Viseu.

Em estreita colaboração com a Universidade do Porto e o Centers for Disease Control and Prevention, dos Estados Unidos, João Mesquita descreve, pela primeira vez, a existência de um «norovirus» canino. A estirpe ganhou o nome «Viseu», dado o local da sua descoberta.

O investigador concluiu que «o vírus tem uma elevada variabilidade genética e antigénica graças à sua elevada taxa de mutação, o que é sugestivo de uma elevada adaptabilidade do vírus ao hospedeiro».

O projeto envolveu a análise de amostras biológicas de 15 países da Europa e dos Estados Unidos e, segundo o IPV, «demonstrou que o novo vírus está a ser excretado por todo o país e a ser transportado entre países da Europa, através da movimentação dos animais entre fronteiras».

Análises realizadas em soros humanos demonstraram ainda que «a população humana teve contacto prévio com este vírus, sugerindo a possibilidade de ocorrer a transmissão ao homem», acrescenta.


A equipa do Laboratório de Anatomia Patológica Veterinária da Escola Superior Agrária de Viseu está neste momento a estudar as alterações dos tecidos dos intestinos de cães infetados, recorrendo «a técnicas avançadas de deteção de apoptose (morte celular programada) e caracterização das lesões celulares microscópicas».

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Cadela Gestante: Quando procurar um médico?

Sinais que justificam a procura de assistência veterinária imediata:

• Qualquer sinal de doença numa fêmea em fim de tempo.

• História de distócias anteriores.

• Mais de 70 dias de gestação.

• Mais de 24 horas desde que a temperatura rectal desceu, sem inicio de parto.

• Mais de 24 hora de anorexia numa fêmea em fim de tempo.

• Mais de 3 horas na fase 2 do parto sem que nasça o 1º cachorro.

• Mais do que 30 minutos de contrações ativas entre cachorros, sem que nasça nenhum.

• Mais do que 2 horas de contrações fracas sem expulsão de nenhum feto.

• Cadela com quadro doloroso.

• Sinais radiográficos de mau posicionamento fetal.


• Quando o fim do parto ocorre sem que tenham nascido todos os cachorros.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Cadela Gestante: Cuidados a ter

As necessidades nutricionais da cadela gestante

Durante as seis primeiras semanas de gestação não se verifica um aumento considerável das exigências nutricionais da cadela.
 O crescimento dos fetos é reduzido, a mineralização dos esqueletos ainda não se inicioue o seu volume não restringe as capacidades gástricas da cadela. Em contrapartida, o considerável desenvolvimento dos fetos a partir da 6ª semana de gestação conduz a um aumento progressivo das necessidades proteicas, energéticas e minerais da cadela. Além disso, durante a última semana de gestação, é frequente a cadela perder o apetite. Assim, nesta fase, a cadela deverá ser alimentada com um alimento muito palatável, com elevado teor energético e excelente digestibilidade, que deverá ser fracionado em diversas pequenas refeições ao longo do dia. Este alimento, adequado também ao período de lactação, permitirá preparar o sistema digestivo da mãe para uma transição progressiva entre o final da gestação e o início da lactação, duas etapas com exigências nutricionais semelhantes.

Cuidados puerperais

Os cuidados rotineiros puerperais à cadela incluem o controlo da temperatura rectal e a inspeção regular do corrimento vaginal, o exame de todas as glândulas mamárias, alerta para a presença de pus, odor fétido e glândulas mamárias avermelhadas e doloridas.

Cuidados perinatais

É sempre importante relembrar que o melhor plano de ação é deixar a fêmea dar à luz tranquilamente e supervisionar apenas de uma forma discreta, por forma a ter a certeza de que tudo corre bem. A mãe irá geralmente libertar-se das restantes membranas fetais dos recém nascidos, lavá-los e secá-los de forma correta. Este procedimento estimula os sistemas cardiovascular e respiratório, e mais tarde estimulará também a micção e a defecação dos filhotes. Caso a mãe esteja muito cansada para poder realizar da forma correta estas operações, o dono deverá intervir secando e esfregando os filhotes com uma toalha limpa e macia. Na maioria dos casos a mãe normalmente corta o cordão umbilical com os dentes. Caso ela não o tenha feito após 5 a 10 minutos, deverá fazer dois nós com fio dental e cortar o cordão que se encontra entre eles, e após esse corte deverá desinfetar a superfície de corte com uma solução iodada (a porção de cordão umbilical que ficar agarrada ao corpo do recém nascido deverá ter no mínimo 2 a 3 cm).

É muito importante que os recém nascidos mamem o leite materno nas primeiras horas a seguir ao nascimento, pois esse leite especial (denominado colostro) é rico não só em nutrientes mas também em componentes que conferem as defesas imunológicas. Recomenda-se que se encoraje os filhotes a aproximarem-se dos mamilos da mãe. Por vezes, caso a fêmea não produza uma quantidade de leite suficiente, e especialmente em ninhadas grandes, poderá haver a necessidade de recorrer ao leite de substituição, utilizando sempre fórmulas adaptadas a cachorros. O leite de vaca não é o indicado para suplementar ou substituir o leite materno em cachorros.

Algumas cadelas, especialmente as de raças pequenas, podem apresentar episódios de dificuldades motoras, incluindo paralisia dos membros, como resultado de uma grande baixa dos níveis de cálcio no sangue a seguir ao parto. Esta situação, denominada eclampsia requer uma intervenção rápida e urgente do Médico Veterinário.

A lactação é o período mais exigente em termos de necessidades de energia e de nutrientes. Tanto as cadelas como as gatas podem aumentar as suas necessidades em nutrientes em até 3 – 4 vezes do que quando estão em manutenção. Sendo assim, a fêmea lactante deverá receber um alimento (normalmente seco) com uma elevada densidade nutritiva, e recomenda-se que se divida a quantidade de alimento a administrar em várias refeições ao longo do dia.

Deverá também ter em conta que nos primeiros dias de vida a temperatura corporal do cachorro é baixa (cerca de 36ºC), pelo que o deverá ter em ambiente aquecido. Se necessário, poderá utilizar botijas de água quente ou lâmpadas de aquecimento, mas evite sempre o seu contacto direto com a pele por forma a evitar o aparecimento de queimaduras. Por volta de 1 semana de idade o cachorro já conseguirá manter a temperatura corporal normal. Os recém nascidos não irão abrir os seus olhos até à segunda ou terceira semana de vida.

O peso corporal aumenta entre 5-10% por dia, comparado com o peso que têm ao nascimento, e poderá iniciar o seu desmame por volta dos 21 a 28 dias de vida. Deverá introduzir de forma gradual o alimento sólido por volta dos 21 dias de vida, mas sempre humedecido com água morna e deverá administrar-lhe um alimento especificamente formulado para animais em crescimento. De uma forma gradual deverá ir reduzindo a quantidade de água adicionada ao alimento.

Fonte: Centro Hospitalar Veterinário

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Cadela Gestante: Parto

Momentos que antecedem o parto

Vinte e quatro horas antes dos trabalhos de parto, a temperatura rectal da cadela desce abaixo de 37,8°C e por vezes abaixo de 37,3°C. Esta descida de temperatura é causada pela quebra repentina de progesterona, essencial à manutenção da gravidez na cadela. O declínio da temperatura bem como o relaxamento palpável na musculatura pélvica e abdominal são os sinais mais fiáveis de que o parto está iminente. O início da lactação é bastante variável.

As fases do parto

Fase 1: É a mais longa etapa dos trabalhos de parto; é caracterizada por contrações uterinas e dilatação do cérvix. Os únicos sinais externos são inquietude e respiração ofegante. Durante essa fase a cadela ocasionalmente poderá vomitar, ter tremores ou procurará isolar-se num canto. Esta fase dura em média seis a doze horas.


Fase 2: É a etapa da passagem do feto pelo cérvix e sua expulsão. O registo do tempo em que se sucedem os fenómenos desta fase, tais como as contrações e movimentos, são essenciais para um bom controlo. Quando a cabeça do feto chega ao cérvix, um reflexo neuro-endócrino inicia a libertação da hormona oxitocina; as contrações subsequentes poderão ser observadas externamente, revelando ao proprietário que a cadela se encontra na segunda fase do parto.

Devem ser evitados quaisquer distúrbios ambientais, já que a cadela, se assustada, poderá inibir voluntariamente as contrações. A membrana corioalantóica externa rompe-se ao movimento do feto pelo canal de nascimento e ele nasce envolto apenas pelo saco amniótico. Cerca de 40% dos cachorros nascem de nádegas. Os cachorros nascem normalmente de meia em meia hora ou de hora a hora até terminarem os trabalhos de parto, não obstante os intervalos serem irregulares.


Fase 3: Nesta fase ocorre a expulsão das placentas. Pode ocorrer após cada nascimento ou após o nascimento de dois ou três cachorros. As placentas devem ser contadas; não obstante as placentas retidas poderem ser diluídas e expelidas com os lóquios - corrimentos sanguíneos que se verificam após o parto - elas podem contribuir para uma metrite pós-parto.

Fonte: Centro Hospitalar Veterinário

domingo, 13 de outubro de 2013

Cadela Gestante: Como ter a certeza?

A gestação na cadela dura cerca de 63 a 65 dias a partir do primeiro acasalamento. Contudo, devido às variações do momento de ovulação, os acasalamentos múltiplos e duração variada do estro (cio) dificultam a identificação do dia de fecundação e portanto da data exata do parto. Assim sendo, é mais correto considerar um período de gestação de 56 a 70 dias a partir da primeira cobrição.

A educação e informação do proprietário são fundamentais no maneio de uma cadela gestante. É aconselhável examinar a cadela com suspeita de gestação por volta das 4 semanas, altura em que se estabelece o diagnóstico de gestação. Todas as cadelas que mostrem sinais de doença devem ser criteriosamente avaliadas.

Diagnóstico da Gestação

O diagnóstico de gestação pode ser feito de 3 formas diferentes:

·         Palpação abdominal: é um método mais útil após o primeiro mês de gestação, mas pode não ser muito fiável no caso da fêmea se encontrar obesa.

·         Ecografia abdominal: este método auxiliar de diagnóstico permite realizar um diagnóstico de gestação precoce (após os 21 dias de gestação). É muito útil também para avaliar a saúde e os batimentos cardíacos dos fetos. Por outro lado permite saber qual o tamanho da ninhada.

·         Radiografia abdominal: pode utilizar-se este meio de diagnóstico após os 45 dias de gestação, uma vez que o esqueleto do feto não é visível antes deste tempo. Os raios X são também muito úteis por forma a determinar o número de fetos, a sua posição e a eventual possibilidade de morte fetal.


Não devemos esquecer que os Raios X são inofensivos após os 45 dias de gestação, uma vez que o desenvolvimento embrionário já está completo após esta fase.

Fonte: Centro Hospitalar Veterinário

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Cuidados Preventivos – Desparasitação (parte III)

A desparasitação é uma medida profilática sanitária muito importante,
que consiste na eliminação dos parasitas do organismo do hospedeiro. A desparasitação pode ser interna (endoparasitas – parasitas intestinais, pulmonares e urinários) ou externa (ectoparasitas – pulgas, carraças, mosquitos, ácaros e piolhos). Os animais devem estar desparasitados antes da primeira vacina.
Ao desparasitar o seu animal está não só a dar-lhe uma melhor qualidade de vida, aumentado a resistência às doenças em geral, mas está também a evitar um grande número de situações clínicas desagradáveis e a atuar em termos de saúde pública. Alguns dos parasitas intestinais, que “redondos” (lombrigas), quer “achatados” (ténias), podem afetar humanos (zoonoses). O contato direto com animais parasitados, com as zonas ondem habitam ou fazem as suas necessidades fisiológicas ou com objetos com os quais os animais brincam, podem originar o contágio das pessoas. O risco é maior para crianças, pessoas com problemas a nível do sistema imunitário e pessoas idosas.
Os seres humanos podem sofrer as consequências destas parasitoses de maneira semelhante aos animais, apresentando desde dores abdominais, problemas digestivos de pouca gravidade, dermatites, a lesões oculares severas; outras vezes sofrem de anemia, diarreias e/ou vómitos, lesões nervosas graves e, no caso de algumas ténias, podemos assistir à formação de quistos hidáticos que podem afetar desde o fígado até aos pulmões ou cérebro.
Para evitar problemas para si e para o seu cão é conveniente que o desparasite regularmente e se tiver vários animais em casa é fundamental que faça as desparasitações em simultâneo a todos eles. Evite, também, zonas onde habitualmente vagueiam animais abandonados e lembre-se sempre de apanhar os dejetos que o seu amigo faz, seja na vida pública, seja no seu jardim.
Em virtude dos parasitas constituírem um risco para a saúde do seu cão e da sua família, recomenda-se a adoção de um esquema de desparasitação adequado (dependendo do risco parasitológico a que os cães estão expostos – estilo de vida). Para tal deve utilizar produtos de largo espectro que eliminem vermes adultos e as suas formas larvares.

Como pode o seu animal, que vive em casa, ficar parasitado?

Existem várias formas de contágio:
  •   Através da mãe pelo útero (via transplacentária) e pelo leite (via transgalactogénea);
  •      Por ingestão de ovos ou larvas que se encontrem no meio ambiente, ao ingerir pulgas, ao comer carne ou vísceras de animais parasitados (via oral);
  •          Através da pele (via transcutânea);
  •          Ao ser picado por insectos ou carraças (vectores).


Regras Gerais de Desparasitação Interna

·  Cães recém-adquiridos: desparasitar imediatamente, repetir passadas 2 semanas;
·   Cachorros: às 2 semanas e de 15 em 15 dias até aos 3 meses; até aos 6 meses a desparasitação deve ser mensal;
·      Adultos: tratar regularmente de 3 em 3 meses.;
·      Cadelas Lactantes: desparasitar juntamente com a ninhada.

Medicamentos Desparasitantes
Há diferentes produtos no mercado para desparasitar os cães interna e externamente:

·  Desparasitantes Internos: apresentação em comprimidos ou pastas para administração oral e pipetas de aplicação tópica;

·     Desparasitantes Externos: apresentação em comprimidos para administração oral, sprays, pipetas de aplicação tópica e coleiras.

Para escolher a melhor opte sempre por aconselhamento especializado, quer por um médico ou um enfermeiro veterinário.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Cuidados Preventivos – Desparasitação (parte II)

Ectoparasitas
1.       Pulgas
A principal espécie de pulga que parasita o cão é a pulga do gato (Ctenocephalides felis). Desde que tenham boas condições de humidade e temperatura, as pulgas (o seu ciclo de vida está representado na imagem ao lado) desenvolvem-se e proliferam rapidamente, nascendo de ovos depositados sobre a pele do cão. Por cada 10 pulgas adultas que vemos no nosso amigo, há cerca de 90 formas larvares no seu meio ambiente e muitos mais ovos que não conseguimos ver. As pulgas produzem lesões diretas na pele do animal afetado, nomeadamente reações alérgicas (D.A.P.P – dermatite alérgica por picada de pulga) ou podem abrir caminho a outras infeções cutâneas por bactérias oportunistas que, em alguns casos, requerem tratamento específico e prolongado.
Para além disso, podem transmitir a ténia Dipylidium caninum, um parasita interno.
São frequentemente encontradas nas zonas mais cobertas por pêlo e nas zonas de pele sobre as quais a luz não incide diretamente.

2.       Carraças
São frequentemente encontradas em torno dos olhos, na base das orelhas, entre o dedos e nas pregas da pele do abdómen, ânus e zona perineal.
É mais provável que o seu amigo se contamine em zonas com vegetação, arbustos ou qualquer planta onde as carraças (adultas, ninfas ou larvas) esperam até poderem saltar para os hospedeiros que passam e aos quais se vão fixar.
A carraças produzem lesões na pele, quer por irritação local, quer permitindo a entrada a bactérias oportunistas que podem originar piodermatites ou lesões autoinfligidas quando o animal se tenta ver livre delas. O consumo de sangue por parte das carraças pode originar quadros de anemia graves, debilidade, mau estado geral e lesões dérmicas, sobretudo se os hospedeiros são jovens. As carraças podem ainda funcionar como vectores para parasitas sanguíneos, muitos dos quais podem infetar também humanos, é o caso da “febre da carraça”, quer por Babesia, Ehrlichia ou Borrelia. Algumas carraças ao alimentarem-se libertam toxinas para o sangue, o que pode originar quadros de paralisia e diversos sintomas a nível do sistema nervoso.

3.       Mosquitos e Flebótomos
Só são visíveis durante o período de alimentação. Tem uma importância moderada no que diz respeito às lesões e à irritação cutânea que podem provocar com a sua picada. Em alguns casos é possível que ocorra uma reação alérgica, mas o mais frequente é o animal tolerar bem a picada.
O principal problema destes insetos é o fato de atuarem como vectores de doenças infeciosas transmissíveis. Quando estes insetos picam, para além de extraírem uma pequena porção de sangue, podem inocular, no hospedeiro, agentes infeciosos ou parasitários que extraíram de outro hospedeiro doente/parasitado. Por norma, cada espécie de mosquito e flebótomo transmite uma infeção diferente. As mais frequentes no nosso país são a Leishmaniose e a Dirofilariose (esquema ao lado representa o ciclo de vida da Dirofilaria immitis).

4.       Moscas
Existem algumas espécies que picam os bordos das orelhas dos cães, podendo originar infeções e provocar feridas.
As moscas alimentam-se de sangue e consomem cerca de 15 µl de sangue por dia.

5.       Ácaros
São os responsáveis pelo aparecimento das sarnas, das quais existem vários tipos sendo os animais de companhia afetados por três tipos, cada uma causada por um ácaro diferente (Otodectes, Sarcoptes e Demodex) e que se distinguem entre si pelas lesões provocadas e pela localização das mesmas.

Endoparasitas
1.       Nemátodes
Frequentemente provocam no hospedeiro pequenas alterações como atraso no crescimento, debilidade ou anemia. Noutros casos, produzem quadros muito mais graves com grande prostração, diarreia, vómitos, desidratação, anorexia, lesões da pele e do pêlo. Nos casos extremos, podem inclusive provocar a morte do hospedeiro. Em casos menos frequentes, podem afetar o sistema respiratório e podem ser causa de fadiga, dificuldade respiratória, intolerância ao exercício físico normal e expetoração frequente. A maioria das lesões provocadas por estes parasitas deve-se às formas larvares, quando ocorrem as migrações no organismo (para o fígado, pulmões, coração, rins e intestino) dos hospedeiros. Alguns destes parasitas podem ser zoonóticos.

2.       Céstodes
Neste grupo encontramos as ténias, sendo a mais comum no cão a Dipylidium caninum, que é transmitida por ingestão de pulgas. As ténias, regra geral, não causam grandes distúrbios nos cães. Quanto muito pode-se observar indisposição, diarreias e perda de condição corporal. A necessidade de tratamento contra as ténias surge devido à sua importância em saúde pública, como é o caso do quisto hidático (forma larvar da ténia Echinococcus granulosus).

3.       Protozoários

Talvez menos conhecidos por não serem visíveis a olho nu, são responsáveis por quadros gastrointestinais (diarreias) em quase todos os cães, em particular nos jovens, e principalmente nos criados em canis sobre lotados e com condições de higiene precárias.

Para saberem mais sobre os parasitas que podem afectar os teus animais visita http://www.livredeparasitas.com/pt/ .

sábado, 5 de outubro de 2013

Cuidados Preventivos – Desparasitação (Parte I)

O que é um parasita?

Um parasita é um ser vivo que habita, durante um certo período de tempo ou durante toda a sua vida, no interior ou no exterior de outro ser vivo de espécie diferente, a que chamamos hospedeiro. Apesar de o parasita necessitar que o hospedeiro permaneça vivo, é inevitável que lhe provoque danos de menor ou maior gravidade, uma vez que se alimenta nos/dos seus tecidos. Os parasitas procuram no hospedeiro não só o alimento mas também proteção e condições ideais para se reproduzirem. Os principais parasitas que afetam os animais pertencem aos “grupos” dos protozoários, helmintes e artrópodes; e podem ser divididos em 2 grupos:
  •     Parasitas externos ou ectoparasitas;
  •        Parasitas internos ou endoparasitas.

Os parasitas externos são os que vivem durante toda a sua vida, ou parte dela, na superfície externa do animal, seja na pele, pêlo ou no canal auditivo externo.
Podem ser classificados como microscópicos ou macroscópicos. Os primeiros não são visíveis a olho nú e, como tal, só conseguimos ver as lesões por eles provocadas (por exemplo, ácaros Demodex e Sarcoptes).
Analogamente, os parasitas externos macroscópicos são visíveis à vista desarmada embora por vezes possa ser um pouco difícil observá-los porque são demasiado pequenos, encontram-se em número reduzido, estão bem camuflados ou mudam constantemente de sítio. Dentro deste tipo de parasitas temos os que podem viver permanentemente sobre o hospedeiro (pulgas, carraças, ácaros do ouvido e piolho) ou os que estão apenas presentes por breves períodos (mosquitos, flebótomos e moscas).
                Os parasitas internos são aqueles que vivem no interior do corpo do seu cão, nomeadamente, a nível do aparelho digestivo (esófago, estômago, intestino, fígado, vesícula biliar), no aparelho respiratório (traqueia ou pulmões), no sistema circulatório (coração) na bexiga e no tecido muscular. Os mais frequentes são os do aparelho digestivo.
Tal como os parasitas externos, este podem ser classificados como microscópicos ou macroscópicos.
                Os parasitas internos microscópicos não podem ser observados à vista “desarmada” e por isso o seu médico veterinário poderá fazer o diagnóstico precoce destes parasitas intestinas através dos seus ovos, que podem ser identificados com análises coprológicas às fezes. É importante referir que há alguns parasitas como as coccídeas e a giardia só se detetam através de análises e técnicas específicas.
                Os parasitas internos macroscópicos geralmente só são observados quando o animal está muito parasitado ou posteriormente à toma de um desparasitante. Alguns destas parasitas podem aparecer nas fezes ou no conteúdo gástrico dos animais, especialmente se estes apresentarem um quadro de gastroenterite com diarreia e vómito.

O tamanho dos parasitas pode ir de alguns milímetros, como os proglótides de ténia que aparecem nas fezes ou junto ao ânus do hospedeiro, a vários centímetros como é caso dos tricurídeos ou dos ascarídeos que aparecem nas fezes lembrando um novelo de cabelos. Algumas fêmeas adultas destes parasitas podem chegar a produzir cerca de 200.000 ovos diários, o que nos dá uma ideia da potencial contaminação do meio ambiente e da capacidade de infetar vários animais. Geralmente, dividimos estes parasitas em dois grandes grupos: os céstodos (parasitas “achatados”) e os nemátodos (parasitas “redondos”).

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Displasia da Anca


GUIA PARA O CRIADOR E PROPRIETÁRIO DE CÃES 

A displasia da anca é uma doença que afecta a articulação coxo-femoral , também denominada da anca. Esta articulação é formada pela cabeça do fémur e a cavidade acetabular dos ossos da bacia, e é responsável pela transmissão das forças da coluna vertebral pelo membro posterior até ao solo quando o animal anda ou corre. 
Para que esta articulação funcione correctamente é necessário que exista uma coaptação perfeita das duas superfícies ósseas (redonda da cabeça do fémur e côncava do acetábulo), mas também resistência dos tecidos moles envolventes como a cápsula articular, ligamento redondo (liga a cabeça do fémur ao acetábulo, tal como a cápsula articular), músculos e tendões que envolvem a articulação. 

O que é a displasia da anca? 

A displasia da anca é uma doença de biomecânica de desenvolvimento, isto é, o animal nasce normal mas durante os seus primeiros meses de vida as articulações coxofemorais sofrem alteração na sua forma devido a falta de coaptação entre as superfícies ósseas originando deformação da cabeça do fémur. A falta de congruência articular origina artrose o que em muitos casos é responsável pela dor e consequente claudicação dos animais. 
A falta de congruência das superfícies ósseas articulares deve-se a um processo de maturação mais rápido do esqueleto relativamente aos tecidos moles (músculos, cápsula articular, ligamentos) o que faz com que exista lassidão (falta de resistência) destes e consequentemente incapacidade para manter o contacto normal entre as superfícies ósseas da articulação. 
Esta falta de resistência dos tecidos moles envolventes da articulação origina precocemente sub-luxação articular (cabeça do fémur mal encaixada na cavidade acetabular) e posteriormente lesões de artrose. 

Quais as causas da displasia da anca? 

A displasia da anca é uma doença hereditária e genética, embora alguns factores ambientais possam contribuir para uma maior expressão da doença em animais com genes para a displasia da anca. 
Para o desenvolvimento da doença é necessário que o animal tenha genes para a displasia da anca. Não se sabe ao certo quantos genes estão envolvidos, mas sabe-se que são muitos, por isso é denominada de doença poligénica. Nas doenças poligénicas quanto maior fôr o número de genes alterados herdados dos progenitores mais marcada será a doença nos cachorros. No entanto, a questão não é tão simples uma vez que alguns dos genes se combinam aleatoriamente e não de forma aditiva, embora num número muito reduzido. 
Os factores ambientais como excesso de peso, ração hipercalórica, curva de crescimento muito acentuada, chão escorregadio e liso, excesso de minerais como o cálcio, excesso de exercício, contribuem para exacerbar as alterações mas não são a causa da doença. 

A displasia da anca aparece com igual prevalência em todas as raças? 

A displasia da anca é uma doença que aparece mais frequentemente em raças de cães médias e grandes, embora possa ocorrer em qualquer raça. 
As raças mais predispostas são por exemplo S.Bernardo, Bulldog, Terra Nova, Retriever do Labrador, Golden Retriever, Mastins, Pastor Alemão, Serra da Estrela, Rafeiro do Alentejo, Shar-Pei, Akita, Setters, Cão Boieiro Suiço, Rottweiller, Dobermann, etc. 
As raças pequenas são também atingidas embora pelo seu peso corporal em muitos casos não manifestem sinais clínicos da doença. 

Qual a importância de radiografar o meu animal? 

Não existe nenhum teste genético para despistar um animal portador de genes para a displasia da anca. O exame radiográfico, é hoje em dia considerado o meio de diagnóstico que melhor permite despistar os animais que não tendo sinais clínicos de displasia da anca têm no entanto lesões compatíveis com a doença, sendo essas lesões um marcador da presença de genes para a doença. 
Os animais devem ser radiografados aos 12 meses para raças médias e grandes e 18 meses raças gigantes. O Rottweiller sendo uma raça grande deve ser radiografado aos 18 meses. A partir dos 5-6 anos de idade a avaliação torna-se mais difícil uma vez que podem existir lesões de artrose não relacionadas com displasia da anca. Por isso, para efeitos de despiste de displasia da anca dever-se-á evitar submeter radiografias de animais a partir desta idade. 

Porquê anestesiar o animal para realizar o exame radiográfico? 

A anestesia geral permite um relaxamento muscular total e dessa forma conseguimos posicionar correctamente o animal para o exame. Caso contrário teremos de repetir várias vezes a radiografia até obter um rx de boa qualidade. Sem um posicionamento correcto é impossível atribuir uma classificação à radiografia. 
Por outro lado o relaxamento muscular permite observar a lassidão da articulação com maior facilidade e dessa forma sermos mais precisos na avaliação. 

Qual o significado dos diferentes graus da classificação da displasia da anca? 

Os graus atribuídos na classificação da displasia da anca em Portugal são os graus definidos pela Federação Cinológica Internacional e que se identificam por letras: A, B, C, D, E. 
Os graus A e B são animais sem sinais radiográficos de displasia da anca, os graus C, D, e E correspondem a animais com sinais de displasia da anca. O grau C corresponde a displasia ligeira, o grau D displasia moderada e o grau E displasia grave. 

Quais os graus de displasia da anca que posso usar na reprodução? 

Em princípio só deveríamos utilizar na reprodução animais com graus A e B. De facto só esses permitiriam reduzir significativamente o número de genes para a displasia. No entanto, nalgumas raças o nível de displasia da anca é tão elevado que se eliminássemos todos os animais com grau C ficaríamos com um conjunto de reprodutores muito limitado. Nestes casos pode utilizar-se um dos progenitores com grau C embora o outro deve ser A ou B. Esta é uma excepção não deverá ser a regra. 

Qual a importância de reduzir a prevalência da doença? 

Se utilizarmos na reprodução animais com displasia da anca a doença perpetua-se com uma intensidade crescente devido ao efeito maioritariamente aditivo da combinação dos genes e consequentemente animais com sinais mais marcados. Isto tem repercussões individuais pelo sofrimento do animal envolvido e dos seus proprietários, maiores despesas associadas à terapêutica e muitas vezes perdas de animais com características excelentes em termos de beleza ou trabalho. Por outro lado, em termos populacionais de uma raça conduz inevitavelmente ao retrocesso em termos de características da raça e um esforço posterior muito maior para obter animais sem sinais de displasia da anca. 

Qual a importância de se conhecer os graus de displasia nos animais presentes num pedigree? 

O reconhecimento do grau de displasia até à 3ª ou 4ª geração de um pedigree é muito importante porque isso dá-nos a percepção do grau de probabilidade de ocorrência de animais com displasia da anca. 
Se eu dispuser de um cão classificado com grau B proveniente de pais e avós com graus A e B provavelmente este animal disporá de muito poucos genes para a displasia da anca. Se pelo contrário eu usar um reprodutor (macho ou fêmea) com grau B mas com alguns dos antepassados com grau C e D a probabilidade de obter cachorros com displasia da anca é francamente maior. A inscrição dos graus de displasia nos pedigrees e a sua análise constitui um auxiliar fundamental na selecção criteriosa dos reprodutores. 

APMVEAC 2006 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Diabetes em cães


Existem dois tipos de diabetes mellitus em cães: a dependente e a não dependente de insulina, ou seja, diabetes insipitus e diabetes mellitus.

A diabetes insipitus é uma desordem muito rara que resulta na incapacidade de regular o conteúdo de água corporal.

A diabetes mellitus é uma doença relativamente comum e aparece mais freqüentemente em cães de 5 ou mais anos. Existe, também, uma forma congênita que ocorre em cães, sendo muito rara (Spinosa, 2001).

Vamos tratar aqui da diabetes mellitus.
São conhecidos dois tipos desta diabetes mellitus: tipo I e tipo II.

A tipo I, ou diabetes mellitus dependente de insulina, com perda progressiva e eventualmente completa da secreção de insulina, pelo pâncreas. Portanto, o paciente com este tipo de diabetes é conhecido
como insulino dependente. A maior parte dos cães diabéticos apresenta-se com este tipo de diabetes (Nelson, 2001).

A tipo II, ou diabetes mellitus não dependente de insulina, caracteriza-se por uma resistência à insulina e/ou células β disfuncional. A secreção de insulina pode ser elevada, baixa ou normal, mas é insuficiente para superar a resistência à insulina nos tecidos. Esta, por sua vez, é de difícil diagnóstico em cães (Cunnighan, 2004).

O Diagnóstico

O diagnóstico de diabetes mellitus baseia-se em três critérios:

1 - 0s quatro sinais clínicos clássicos, os 4P's :
         Poliúria-->  aumento do volume urinário, o animal passa a urinar mais.
         Polidpsia --> sede excessiva, o animal passa a ingerir mais água.
         Polifagia --> aumneto do desejo de comer. Alguns animais começam a atacar até o lixo da casa.
         Perda de Peso --> mesmo o animal se alimentando mais, a glicose não consegue penetrar na célula, então o organismo começa a metabolizar poteína e gordura. Na diabetes tipo II, está manifestação é mais lenta.

OBS: Se tivermos um cão que está emagrecendo, mas comendo muito, bebendo muita água e urinado muito, devemos em primeiro lugar pensar na diabetes.

2- O nível elevado de glicose na corrente sanguínea. O animal deve estar em jejum de 12h, para coleta de sangue. Os níveis normais de glicose em um cão normal  varia de 80-120mg/dl. Qualquer valor acima desse, devemos pensar em diabetes.

3 - A glucosúria (presença de glicose na urina) é um grande indicativo, mas não fecha o diagnóstico pois podemos ter glicosúria renal primária, um defeito que compromete a reabsorção de glicose.

SINAIS CLÍNICOS + HIPERGLICEMIA + GLICOSÚRIA = DIABETES

Outro Sinais da Diabetes

- Catarata Diabética  --> provocada por acúmulo de glicose e de outra substância chamada sorbitol no cristalino do globo ocular. Pode ser o primeiro sintoma que o proprietário percebe. O cristalino fica “azulado” e animal fica cego.


 - Infecção urinária --> a urina rica em glicose é substrato de crescimento bacteriano.

Diabetes e Cadela:
 Se o diagnóstico de diabetes ocorre numa cadela, esta deve ser castrada o mais rapidamente possível. Um dos hormonios femininas (a progesterona) interfere com o metabolismo da glicose, sendo difícil de controlar a diabetes em cadelas não castradas. Por vezes, em animais com diabetes há pouco tempo, a castração pode levar a uma recuperação completa. Após a cirurgia é necessário controlar bem os níveis de glicose no sangue pois, a terapia com insulina pode já não ser necessária.

Diabetes e Obesidade:
 A relação obesidade e diabetes é uma relação perigosa. O aumento da massa gordurosa, principalmente abdominal (visceral) está ligada à resistência à insulina, ou seja, à maior dificuldade da insulina colocar a glicose para dentro das células. O problema se agrava se o paciente tiver predisposição genética para desenvolver diabetes, pois neste caso o pâncreas é mais suscetível à deficiência na produção de insulina.
 Pouco se sabe sobre a patogênese da resistência à insulina causada pela obesidade em cães.



Conclusão:
Suspeitando de um cão diabético, devemos fazer um exame de sangue completo, um exame de glicose e um EAS.
Após fechar o diagnóstico, o tratamento é relativamente simples. O animal diabético, pode levar uma vida normal e uma sobrevida de qualidade. O tratamento se baseia na adiministração de insulina, exercício físicos e ração balanceada. No mercado temos vários tipos de insulina, devemos encontrar uma que apresente uma melhor resposta ao paciente.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Mau Hálito no cão: Sintoma de doença?



A Halitose, designação cientifica para mau hálito, pode ter várias causas. Ao contrário do vulgar "cheiro a cão", que acompanha com maior ou menor intensidade qualquer exemplar canino e não é sinal de doença, a Halitose não deve ser encarada tão despreocupadamente pois é sempre sinal de alguma alteração.

Causas Orais
Contrariamente ao que vulgarmente se crê, o odor proveniente de um aparelho respiratório ou digestivo saudável não é desagradável. 
O mau hálito provém quase sempre da boca (normalmente de uma boca em más condições). A causa mais comum de problemas orais que produzem mau hálito é a Doença Periodontal, uma inflamação dos tecidos que envolvem o dente. Já a Cárie Dentária, um problema relativamente comum nos humanos, é rara nos cães devido à composição da sua saliva (maior concentração de amoníaco  que neutraliza os ácidos responsáveis pela formação de cárie). 
Aproximadamente 85% dos cães com mais de 3 anos apresentam algum grau de Doença Periodontal. É mais frequente e mais precoce em cães de porte pequeno, porque os seus dentes estão mais juntos e talvez porque os seus donos têm tendência para os "mimar" mais com alimentação incorrecta.
Se suspeitar que a causa do mau hálito do seu cão é de origem oral/dentária, recorra ao seu Médico Veterinário assistente. Ele examinará minuciosamente a cavidade oral, identificará eventuais problemas dentários ou gengivais e procederá ao tratamento especifico  que pode passar por uma limpeza completa dos dentes (destartarização, polimento, tratamento das gengivas), normalmente sob anestesia geral.

Se o seu cão é novo, os seus dentes brancos e as suas gengivas saudáveis, mas mesmo assim apresenta mau hálito, a causa pode ser apenas de origem alimentar:

Utilização de dietas pastosas que deixam resíduos que entram em decomposição e começam a libertar um odor putrefacto. Opte por uma ração seca de boa qualidade, que não deixa partículas residuais nos dentes.

Hábitos de coprofagia (comer fezes); é relativamente comum em cachorros e pode não ter qualquer significado especial para além do "esconder a prova do crime" quando são sujeitos a castigo por defecção em local não apropriado. Consulte o seu Médico Veterinário para investigar qualquer outra possível causa, nomeadamente carências nutricionais.

Alimentação pontual com comida putrefacta ou com mau odor. Exemplo típico: "foi roubar ao lixo ou comeu algo do chão inadvertidamente". Resolva o problema para que não o volte a repetir, e não se preocupe quanto ao mau hálito, pois será temporário.
Se nenhuma destas situações se aplica e se o mau hálito teve início há pouco tempo, o seu cão pode ter um corpo estranho na boca (um osso, aglomerados de pêlos, ervas...). Neste caso ele poderá estar a salivar mais que o normal ou a tentar colocar as patas na boca. Examine a sua boca e se for esse o caso e a extracção for fácil, pode tentar fazê-lo. Se a extracção exigir actuação profissional ou se não conseguir identificar qualquer corpo estranho, consulte o Médico Veterinário para um exame completo da boca, eventualmente sob sedação.
Não exclua de imediato um problema dentário só porque o seu cão é novo e os seus dentes aparentemente saudáveis: o desenvolvimento da Placa Bacteriana é rápido, assim como o desenvolvimento de bactérias produtoras de mau cheiro, e o Tártaro forma-se numa questão de dias: podem-se observar depósitos de Tártaro a partir dos 8-9 meses de idade. Institua hábitos de higiene oral o mais precocemente possível.

Doença Periodontal
Uma boca sã apresenta gengivas rosadas ou com o pigmento normal da boca, sem inchaço nem odor desagradável. Se o local de contacto da gengiva com o dente se apresentar mais avermelhado, já existe inflamação (Gengivite), que é a primeira fase da Doença Periodontal.
A Gengivite é causada pela acumulação de Placa Bacteriana na superfície dos dentes e rebordo das gengivas. A Placa é constituída por uma película de substâncias próprias da saliva do cão e bactérias que aderem a essa película  e é invisível a olho nu. Só uma boa escovagem ou a utilização de substâncias com forte efeito anti-placa a eliminam, temporariamente, contudo (em 12 horas restabelece-se).
à medida que a placa bacteriana se vai desenvolvendo e mineralizando por acção do cálcio presente na saliva do cão, vai-se formando Tártaro Dentário, cuja superfície rugosa promove ainda mais a adesão e proliferação de bactérias. A formação de Tártaro é mais precoce e intensa nos pré-molares e molares, particularmente no dente carniceiro (4° pré-molar, o mais robusto dos dentes posteriores), que se situa na proximidade do local onde é secretada a saliva. Por esta razão deve dar-se especial atenção à higiene oral desta zona da boca. Uma vez formado, o Tártaro só poderá ser eliminado através da intervenção do médico veterinário.
À medida que a Gengivite progride com o desenvolvimento do Tártaro, começam a formar-se espaços ocos entre o rebordo da gengiva e os dentes. Estas bolsas acumulam resíduos alimentares e proporcionam um óptimo local para proliferação de bactérias que produzem muito mau cheiro, agravando a Halitose.

Higiene Oral
Alguns advogam que a escovagem dos dentes é essencial nos cães. Contudo, é praticamente impossível de realizar. Porquê? Porque para ser eficaz exige que seja feita de 12 em 12 horas, com uma inclinação da escova de 45°. Imagina-se a efectuar esse procedimento no seu cão ou gato durante toda a sua vida?
As barras de higiene oral complementam a escovagem ou substituem-na nos casos em que o animal não tolera o procedimento (o que acontece quase sempre). A acção mecânica e abrasiva da sua mastigação auxilia a eliminação da Placa Dentária. Aconselhe-se e adquira-as junto do seu médico veterinário. Barras com princípios activos anti-placa funcionam como uma escovagem, permitindo assim substitui- la. É o caso das Barras Dental-B, que contêm o anti-agregante RF2.
Uma dieta à base de ração seca evita a acumulação de resíduos e tem uma acção de limpeza natural pois é mais abrasiva. Evite guloseimas açucaradas ou moles, e para recompensa ou treino comportamental utilize barras de higiene oral.

Outras causas de Halitose
Outras causas menos comuns de problemas orais que originam halitose, e cujo diagnóstico passa obrigatoriamente por exame Médico-Veterinário, incluem:

Estomatite Periodontal Ulcerativa Crónica, que causa úlceras na mucosa oral e léngua. Pensa-se que seja uma reacção alérgica à Placa Bacteriana. Raças predispostas: Cocker Spaniel, Cavalier King Charles Spaniel.
Tumores da boca e gengivas. As raças braquicéfalas (“focinho achatado”), principalmente os Boxers, são predispostas para um tipo especifico de tumor benigno das gengivas denominado Epulis, que exige extirpação cirúrgica.
Se bem que muito menos frequentes, existem outras causas extra-orais que poderão causar mau hálito, e cujo diagnóstico passa também e obrigatoriamente por exame médico-veterinário:

Insuficiência Renal (mais frequente em cães idosos): o hálito adquire odor a amoníaco  e o cão pode apresentar úlceras na boca, para além de outros sintomas gerais, que podem ir desde uma pequena perda de apetite até vómitos, diarreia ou mesmo convulsões e coma. Procure imediatamente assistência médico-veterinária.
Diabetes complicada: o hálito adquire odor a acetona, e o animal apresenta-se gravemente doente, eventualmente com vómitos e hipotermia. Procure imediatamente assistência médico-veterinária.
Problemas do Aparelho Respiratório: Rinite e Sinusite.
Problemas do esófago: Megaesófago (dilatação do esófago – canal que conduz a comida da boca até ao estômago – com acumulação e estagnação de comida, que vai apodrecendo); Corpo Estranho alojado no esófago.
Dermatite Perioral: infecção bacteriana da pele nas proximidades da boca, que provoca odor desagradável. Dermatites no interior de pregas de pele (Intertigo) em raças com pregas junto à boca ou ao focinho (ex. Boxer, Bulldog, Shar-Pei) podem ter um odor extremamente pestilento, que o dono pode julgar erradamente ser mau hálito proveniente da boca.
Doenças Auto-imunes: Lúpus Eritematoso, Pemphigus (podem provocar ulcerações na mucosa oral, lábios ou ao longo do focinho; com o tempo podem infectar e libertar mau odor). São doenças pouco comuns.
Concluindo, o mau hálito não é aceitável num cão e pode ser sintoma de graves problemas.



Ficou a conhecer com este artigo as possíveis causas, em que situações deve recorrer ao seu Médico Veterinário, e quais as formas de evitar o mau hálito de origem dentária. Uma higiene oral regular e bem realizada, através do fornecimento de barras orais palitáveis com princípios activos anti-placa evitam problemas futuros.

Rita Baptista
(Médica Veterinária)