"Podemos muito bem perguntar-nos: o que seria do homem sem os animais? Mas não o contrário: o que seria dos animais sem o homem?"Hebbel , Christian





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domingo, 26 de agosto de 2012

100 comportamentos atribuidos à dominancia

Depois do Post anterior tropecei neste que me deu que pensar na quantidade de comportamentos de são atribuídos a dominância..  e Agora me pergunto como é possível ainda existirem pessoas tão agarrados a esta ideia.
Leiam e percebam o que quero dizer.

Para mais informação do porque é que a dominância é uma falácia consulte: Non Linear Dogs
Adaptado da lista anteriormente compilada por Helix Fairweather

1. dar com a pata
2. passar pelas portas primeiro
3. saltar para cima das pessoas
4. não fazer o comportamento pedido
5. sentar-se ou deitar-se na mobília (sofá, cadeira, etc..)
6. destruir e/ou roer objectos em casa
7. ladrar a estranhos na rua
8. urinar dentro de casa
9. puxar na trela
10. encostar-se a uma pessoa para pedir festas
11. ladrar enquanto a família come
12. coçar ou tentar tirar o halti do focinho
13. morder e roer a trela
14. raspar os pés após urinar ou defecar
15. por a pata em cima do pé da pessoa
16. sair pela porta a correr
17. caminhar à frente da pessoa
18. não sair do caminho
19. roubar papéis
20. não fazer o que lhe mandam
21. dar focinhadas ou dar a pata para chamar a atenção
22. ir contra uma pessoa
23. Olhar para uma pessoa de frente
24. por as patas nos ombros de alguém
25. ladrar à pessoa quando esta lhe dá uma ordem
26. roubar objectos
27. fazer as necessidades numa altura não esperada
28. dar com o traseiro nas suas pernas
29. cão macho ficar excitado (com “aquilo” para fora)
30. só fazer o que lhe pedem “quando lhe apetece”
31. ladrar ao dono quando este grita com o cão
32. cachorros que mordiscam
33. come depressa demais (sim por incrível que possa parecer)
34. não entrar em casa
35. não sair do sofa ou cama
36. ladrar a estranhos
37. ladrar a gatos
38. ladrar a carros
39. quando está no carro ladrar a pessoas que passam
40. rosnar quando lhe tentam tirar o osso
41. rosnar quando lhe tentam tirar o brinquedo
42. deita-se quando o estou a passear e não quer mais andar
43. ladrar enquanto lhe preparo a refeição
44. brincar com a taça da comida
45. montar (seja o que for desde peluches, a pernas da mesa da sala, à criança)
46. urinar em cima da cama
47. rosnar a outro cão quando o conhece pela primeira vez
48. tentar comer tudo o que encontra na rua
49. obedecer ao marido mas não ao resto da família
50. ladrar quando fica sózinho
51. urinar na crate ou transportadora
52. não está esterilizado por isso é dominante
53. cachorro que tenta mordiscar as orelhas de um cão adulto é dominante
54. lamber as pernas das pessoas
55. quando brinca com o outro cão “ganha” sempre
56. rosna quando lhe ponho a coleira de citronella
57. ressona
58. come pedras
59. rouba comida dos pratos deixados na mesa
60. atira-se às pessoas
61. rouba os sapatos
62. faz as necessidades em cima da roupa e carpetes
63. olha para o dono nos olhos
64. põe a pata em cima de mim quando faço festas
65. quando o corrigi com um abanão no cachaço ele rosnou
66. tentou morder o filho quando o filho o tentou arrastar debaixo da cama
67. quando tenta agarrar na coleira para o trazer para dentro de casa ele foge
68. quer sempre mais comida
69. urinar na perna duma pessoa
70. não larger sob comando
71. é “teimoso”
72. rosnar, mordiscar, ladrar, morder
73. sentar-se em cima do pé do dono
74. não quer caminhar no meio da feira cheia de pessoas
75. ladrar aos cavalos
76. perseguir motas e skates
77. ser de uma determinada raça (muitas pessoas dizem que determinadas raças são “naturalmente” dominantes)
78. ser cão de guarda (guarda porque é dominante)
79. perseguir luzes
80. lamber as patas
81. uivar
82. fazer buracos na terra quando o dono está presente
83. querer comer a nossa comida
84. tem ciúmes do meu outro cão
85. não rebolar
86. não largar a bola quando a atiro
87. rosna ao veterinário quando este lhe tenta mexer
88. não me deixa pegar nele ao colo quando quero
89. vingativo
90. não vem quando o chamo no parque
91. não deita quando eu mando
92. senta-se em cima de mim
93. arreganha os dentes (um sorriso)
94. quando lhe dou um choque eléctrico porque ele se portou mal ele tenta morder a coleira
95. quando dou um toque na estranguladora ele tenta morder-me
96. ladra quando saio de casa
97. quer tomar os medicamentos do meu outro cão (ahahahahahah)
98. está sempre deitado aos meus pés
99. não quer entrar no carro
100. não vai para a crate quando o mando


Lista traduziada por:
Claudia Estanislau
Its All About Dogs

sábado, 25 de agosto de 2012

O que dizem os especialistas, profissionais e treinadores a cerca da dominancia


Dr. Ádám Miklósi chefe do Departamento de Etologia na Universidade Eötvös Loránd, em Budapeste. Líder do Programa de Etologia, mestrado em Biologia e presidente da CompCog. – “ É trabalho dos cientistas convencerem os donos e treinadores de cães que a perspectiva de dominância submissão entre cães e pessoas está desactualizada e que devem adoptar uma nova perspectiva…” - http://video.pbs.org/video/1488005229


John W. S. Bradshaw, Emily J. Blackwell, Rachel A. Casey. Journal of Veterinary Behavior: Clinical Applications and Research, Volume 4, Issue 3, Pages 109-144 (May-June 2009) -              “ Longe de serem úteis, os académicos dizem, que métodos de treino baseados na redução de dominância variam entre inúteis a perigosos e muito provavelmente contribuem para o piorar dos comportamentos” http://www.sciencedirect.com/science/journal/15587878


David Appleby, especialista em comportamento clínica de animais desde 1986. Director de variadas clínicas veterinárias e durante 20 anos foi o comportamentalista principal da Escola Veterinária de Queen’s na Universidade de Cambridge onde era também tutor. É membro da Association of Pet Behaviour Counsellors (APBC) e é Certified Clinical Animal Behaviourist (CCAB).   – “Os diagnósticos errados são sempre maus e no entanto comportamentos “dominantes” são frequentemente citados para descrever todo o tipo de comportamentos que têm outras causas. Por exemplo, devemos evitar usar a etiqueta de “dominante” para descrever a falta de respostas aos desejos do dono causadas por treinos insuficientes ou inapropriados. Da mesma forma, dominância não deve ser diagnosticada para justificar comportamento defensiva causado pelo medo das intenções do dono. Isto ocorre quando a “punição” é usada numa tentativa de acabar com os comportamentos que os donos não querem”


Sarah Whittaker - Diploma in Companion Animal Behaviour Therapy (DipCABT), Sara is an accomplished author of articles, a regular monthly guest on BBC radio and has filmed behaviour consultations at RSPCA Woodside for Channel 4’s Pet Rescue. Lecturer at The College of Animal Welfare, Anglia Polytechnic University and Brooksby Melton College. -  “ A teoria da dominância nunca foi estudada como forma de explicar os relacionamentos inter espécies e eu não considera o que tenha alguma vez tido essa intenção. Outro ponto é lembrarmo-nos que os cães nunca obtêm uma posição “dominante” na nossa casa, apesar de tudo nós damos-lhes abrigo, comida, água e cuidados médicos – à luz da teoria da dominância isto é algo que eles deveriam fazer por nós se quisessem realmente dominar”


James O’heare Certified Animal Behavior Consultant (CABC), Certified Dog Behavior Consultant (CDBC), and a Professional Animal Behavior Consultant (PABC), author, international speaker, President of The Companion Animal Sciences Institute, Director of The Association of Animal Behavior Professionals, Managing Editor of The Journal of Applied Companion Animal Behavior, and was Co-founder of the International Association for Animal Behavior Consultants. Autor de 10 livros publicados e traduzidos em variadas línguas. – “Recomendo evitar substituir a palavra dominância por liderança ou outro termo semelhante porque estes apenas implicam um relacionamento de perda e ganha e todos estes são simplesmente desnecessários. Não existe necessidade de invocar os termos dominância ou liderança que significam a mesma coisa mas são usados para evitar a conotação de dominação. Muitos pessoas sentem que esta noção é necessária. Pois eu acho que não. Simplesmente treinem o cão. O maior problema em ver os relacionamentos entre pessoas e cães à luz do conceito de dominância social é que implicam e promovem um relacionamento conflituoso entre ambos”. - http://www.associationofanimalbehaviorprofessionals.com/whats_wrong_with_dominance.html

Stan Rawlinson MTCBPT. MPAACT A.DipCCB – “Em termos simples, eu não posso ser o alpha duma matilha. Os cães são animais conspecíficos o que quer dizer que apenas formam matilhas com membros da mesma espécie. Cães nascem vivos, por isso reconhecem imediatamente a mãe (através do cheiro e do toque), os cães tal como os humanos nascem cegos e surdos e ao contrários dos pássaros não formam laços e agarram-se à primeira coisa que veêm quando nascem.” - http://www.doglistener.co.uk/alpha/thealphamyth.shtml


Raymond Coppinger, Biólogo, Professor de Biologia na School of Cognitive Science at Massachusetts,  treinador e criador de cães e Lorna Coppinger co-fundadora (com Ray) do Livestock Guarding Dog Project em 1977, graduada na universidade da Eslováquia e mestrado em biologia pela universidade de Massachussets. Autores do livro citado em inúmeros estudos científicos “Dogs: A New Understanding of Canine Origin, Behavior and Evolution” – “ O lobo erradamente denominado alpha não está a tentar ensinar a matilha nada de especial, muito menos um senta. O motivo pelo qual tantos acreditam nesta ideia da matilha e a usam no treino e relacionamento com os cães é um verdadeiro testamento do quão tão pouco se sabe acerca do desenvolvimento comportamental canino”.


Barry Eaton Advanced Diploma in Companion Animal Behaviour and Training (COAPE OCN) Adv. Cert. in 'Think Ethology' (COAPE OCN) by Prof Ray & Lorna Coppinger MSc. Membro afiliado do COAPE autor de variados livros, tutor no Animal Care College – “The comparison between our dogs’ behaviour and wolf behaviour is misleading. Although the dog evolved from the wolf, the wolf has changed very little. We on the other hand have produced breeds of all shapes and sizes. We have breeds with different coat colours, types of coat, length and even no coat at all. We have dogs with different gaits, tail and ear positions. We have bred dogs to help man for guarding, retrieving, herding, pulling, sledges, hunting and just lapdogs. The dog’s brain has changed; it’s smaller than a wolf’s. It has a different conformation, different innate motor patterns, drives and motivations. A dog is not a wolf in dog’s clothing; it’s simply a dog”

 
Dra Sophia Yin, Veterinária mestrada em comportamento animal. Directora executiva da American Veterinary Society of Animal Behavior, the American Association of Feline Practitioners (AAFP) Handling Guidelines Committee, and the American Humane Association (AHA) Animal Behavior and Training Advisory Committee. -  “Wolves in the wild generally do not gain their high rank by fighting their way to the top. Instead a male and female breed and the pack is a family unit comprised of the parents and the offspring. The parents naturally become the leaders. The offspring naturally follow their lead. As a result of this discovery regarding pack structure, wolf biologists no longer even use the term alpha with wild wolf packs.”


Kathy Sdao, Certified Applied Animal Behaviorist (CAAB), autora de livros, convidada para Clicker Expo de Karen Pryor, treinadora de variados animais tais como golfinhos, orcas, cães gatos e ratos. Autora e tutora em diversos colégios nos EUA. - “Despite data to the contrary, many people still believe dogs form linear hierarchies of alpha (dominant) and omega (submissive) individuals. Many trainers have capitalized on this belief system by arguing that you can solve behavior problems in your dog only when you have established yourself as Alpha dog among the pack of creatures in your home (people and dogs)… there’s no evidence to suggest that they perceive humans as part of their species-specific ranking. In general, humans lack the capability to even recognize, let alone replicate, the elegant subtleties of canine body language. So it’s hard to imagine that dogs could perceive us as pack members at all.” - http://beyondcesarmillan.weebly.com/kathy-sdao.html




 
David Mech – Biólogo autoridade máxima no estudo do comportamento de lobos, efectuou uma observação do comportamento de lobos no seu ambiente natural por mais de 25 anos. http://www.davemech.org/ neste vídeo ele explica como o termo alpha está desactualizado e que os lobos não relacionam dessa forma. Ele também explica que não se trata de um problema de léxico ou nomenclatura. http://www.facebook.com/video/video.php?v=1331514742957


Traduzido e Compilado por:
Claudia Estanislau
Its All About Dogs


Fonte:its-all-about-dogs-escola-positiva-de-treino-e-comportamento-canino

terça-feira, 19 de junho de 2012

Não faz mudar de Ideias


É minha perspectiva pessoal que existe uma forte correlação entre as pessoas que procuram educação, aprendizagem extra e novas experiências e ter-se uma mente aberta e positiva, assim como existe uma correlação estreita entre aqueles que não procuram educar-se, não procuram novas experiências e terem uma mente fechada. Por educação eu quero também dizer experiências, conhecer novas pessoas, experimentar coisas novas, tentar formas diferentes de fazer as coisas e aprender mais. Não me refiro à educação puramente de um ponto de vista académico.


Porque é que é tão difícil dizer, eu mudei de ideias, aprendi algo novo hoje e baseado na nova informação que tenho mudei de ideias e vou fazer as coisas de forma diferente?

Isto é algo perfeitamente natural de se dizer e fazer. Interrogo-me porque é que algumas pessoas são tão “fechadas” e sentem que ir a Seminários, conferências, ou cursos ou buscar mais informação e aprendizagem é uma forma de admitir falta de conhecimento e um sinal de fraqueza, que de certa forma têm que saber já tudo e que ir a tais eventos significaria assumir que afinal não sabem tudo.


Honestamente posso dizer que pessoalmente nunca me arrependi de ir a um seminário, sessão de treino, grupo de discussão ou curso. É saudável sairmos da nossa zona de conforto mesmo que isso signifique assistir a algo que nos intimida um pouco. Por exemplo, eu sinto-me desconfortável com técnicas baseadas em castigo positivo mas já fui a eventos onde uma parte do treino era feito com castigos positivos mas isso não quer dizer que não tire algo importante da experiência. Claro que considero difícil manter a “boca fechada” e não tolero o abuso gratuito de nenhum animal, mas mesmo assim vou, porquê? Porque considero que me ajuda a tornar numa melhor treinadora e numa pessoa melhor. Eu não quero continuar ignorante principalmente nestes tópicos que me causam desconforto. Se eu permanecer ignorante então não tenho como condená-los ou comentar técnicas como as que usam castigo positivo. Se eu me informar então poderei dar uma opinião informada acerca do treino com castigo positivo e porque é que não é aceitável. Poderei depois demonstrar uma forma melhor de fazer as coisas.
Talvez alguém observe como o meu cão trabalha comigo e os resultados do treino, talvez se perguntem como fiz isto ou aquilo sem correções e talvez notem que uso um clicker e recompensas.

Eu não posso mudar o mundo e acreditem que farto-me de ver os encantadores de cães, punidores de cães e “segregadores” de cães na TV mas mesmo assim vejo e aprendo, sim, aprendo o que não fazer e os efeitos do que acontece quando o que fazemos está errado. Existem normalmente algumas demonstrações boas de timing e da eficácia das punições. Eu uso esses clips da TV para treinar staff, clientes e ou alunos como o stress, o “flooding” e as correções afectam um cão.
Podemos ver cães treinados com reforço positivo ganhar competições, felizes, livres de stress e a ouvirem os seus donos. Podemos ver claramente a diferença entre a linguagem corporal de uns cães e outros. Podemos de uma forma crítica avaliar que método resulta melhor e identificar cães treinados com reforço positivo e aqueles treinados com castigo positivo.

Veterinários, treinadores, comportamentalistas e voluntários em centros de ajuda a animais precisam de abrir as suas mentes. Não se deixarem levar com o que acontece na TV, não deixarem que a máquina de marketing e os relações públicas manipulem o que pensam; precisam de seguir mais os seus instintos. Se não parece correcto provavelmente não o é. Será que isso significa que treinadores positivos também precisam de abrir mais as suas mentes? Eu acho que sim, julgo que deveriamos tentar encontrar algo de bom seja em que tipo de treino fôr. Por vezes isto significa um treinador aversivo dar um beliscão a um cão e aperceber-se que uma correção nem sempre é eficaz.


Ciência é ciência, reforço positivo e castigo positivo irão produzir certos resultados e comportamentos e isso é um facto, mas podemos usar as nossas experiências para aprender e crescer. Eu acho que é isto que separa treinadores daqueles que estarão para sempre presos naqueles tempos de treinos antiquados e maus!

Escrito por tara Choule em Dog Star Daily adaptado por Claudia Estanislau (Its All About Dogs)




quarta-feira, 13 de junho de 2012

Seja um bom líder do seu cão!



Artigo escrito por Pamela Johnson traduzido e retirado do  Blog Pam's Dog Academy

Para mim, “líder” é sinónimo de Guia e não de Ditador. Um bom líder deve comunicar através das consequências dos comportamentos, esforçando-se por ganhar a confiança e respeito, e criando objectivos de treino, guiando através da criação de contingências que façam o cão ser bem sucedido e não falhar e motivar o cão!


Bons líderes dão o exemplo através das suas acções, explicando e comunicando claramente aquilo que esperam e aquilo que é aceitável. Para todos os comportamentos devem existir consequências, mas nunca em nenhuma instância ser um bom líder implica o uso de punição física ou verbal, intimidação ou acções agressivas. Os cães NÃO SÃO LOBOS, nem os humanos precisam de tornar os cães submissos ou mostrar dominância sobre os mesmos. Como diz uma das referências mundiais de agility “positivo não é permissivo”. Isto quer dizer que, lá porque somos positivos com os nossos cães que deixamos que eles façam o que querem. Para assegurarmos as consequências apenas temos que reforçar comportamentos apropriados, interromper comportamento inapropriados e prevenir que o cão seja reforçado quando pratica comportamentos inapropriados. Você pode interromper um comportamento soando um som que chama a atenção do cão e que foi previamente treinado através de reforço positivo ou interromper usando chamamento. Não existe necessidade nenhuma de sermos ditadores para interrompermos comportamentos. Recentes dados científicos provam que agressão direccionada aos animais aumenta as hormonas que causam stress. Por isso o efeito reverso está no aumento da agressão e de comportamentos originados por stress nos cães que por sua vez originam no aparecimento de mais problemas comportamentais nos cães.

Num mundo onde a maioria das pessoas quer um cão para companhia um líder benevolente está a tornar-se a forma mais popular de treino. O cão adquire o papel de parceiro no treino, feliz, motivado e com vontade de aprender; enquanto o dono se esforça por ser o melhor líder para o seu cão. Eu adoro ter bons resultados e sinto-me orgulhosa quando os obtenho sabendo que nunca tive que berrar ou fisicamente punir o cão. Qual é o segredo? Bom, aprender a ser um bom líder, é na minha opinião, o que é preciso.

1.Comunicação Clara

Treino com clicker ou com um marcador, vai ajudar a fazer a ponte entre você e o seu cão e é uma forma fantástica de comunicar claramente. Ou o cão oferece o comportamento correcto e é recompensado ou oferece o comportamento errado e terá que tentar de novo. Todas as espécies animais, incluindo os seres humanos, podem ser treinadas com marcadores. É como se você estivesse a tirar uma fotografia dos comportamentos que gosta e segui-los com um reforço para garantir que esses comportamentos se repitam mais vezes. Após ter condicionado o cão a perceber o que o marcador, ou o clicker significa, você estabeleceu uma forma de comunicação clara e eficaz. Na minha opinião, é preciso que sejamos responsáveis pelo treino dos nossos cães. Parte do treino passa por ensinar o cão aquilo que quer que ele faça; na vez de puni-lo por fazer aquilo que lhe é natural. Através do treino de clicker você pode estabelecer uma forma clara e eficaz de comunicar com o seu amigo.
Um dono responsável ensina o seu cão como pode obter privilégios e recompensas.

Todos nós trabalhamos de modo a obtermos aquilo que queremos ou precisamos. Os nossos cães podem trabalhar para obter o jantar, a brincadeira, afecto, atenção, coisas do ambiente e tudo aquilo que ele sempre quis. Um líder estabelece as regras e aplica-as duma forma justa e respeitosa. Ninguém precisa submeter ou intimidar um cão para assegurar que ele ouve e segue as regras. Treinar um cão usando a força ou agressão física da forma que é demonstrada por muitos que se gostam de auto intitular “líderes da matilha” originará num cão que aprende que agressão, força e intimidação são comportamentos aceitáveis. Agressão gera agressão. Eu sou uma treinadora de reforço progressivo e uso um marcador. Eu tenho regras restritas para quase tudo, cumprimentar (pessoas e outros cães), caminhar na trela, vir quando chamados, saber onde pode fazer as necessidades, como brincar de forma apropriada e como “se comportar”, apenas para listar algumas.

Se você não consegue comunicar ao seu cão o que pretende dele, ele vai aprender na mesma, mas irá ele aprender os comportamentos aceitáveis? O mais provável é que não aprenda o que é aceitável, mas antes o que é divertido e o que lhe trás vantagens. Ladrar, puxar, perseguir gatos, saltar para cima de pessoas são comportamentos altamente reforçantes para os cães, algo que eles adoram fazer! Mas o que é que você quer que o seu cão aprenda? Quando você responder a essa pergunta, você estará preparado para comunicar e reforçar as escolhas adequadas que o seu cão faz, guiando-o na direcção certa e a ensiná-lo a aprender e a ganhar da vida o que precisa.

Quando alguém treina o seu cão usando este tipo de relacionamento os laços entre você e o seu cão vão se fortalecer e aquilo que você conseguirá fazer em conjunto com o seu cão é ilimitado.

“A arte de comunicar é a linguagem da liderança” – James Humes


2.Confiança e Respeito

Alinhe as suas palavras com as suas acções. Seja fiel aquilo que acredita e naquilo que você é. As suas crenças são a fundação de cada decisão e cada acção que você faz. É isso que o torna fiável e respeitável, quando lida com cães ou humanos.
É importante estabelecer confiança, respeito e que o cão saiba que aconteça o que acontecer o seu líder irá protegê-lo, tomar conta dele e mantê-lo longe de perigo. Dê ao seu cão 100% da sua atenção quando trabalha com ele, esteja onde estiver, esteja lá. Seja um líder dedicado porque o seu cão merece. Os relacionamentos humano-caninos são construídos na base da confiança e não da dominância. Por isso, seja consistente e justo. Treinar ou ensinar o cão não é muito diferente do que ensinar a criança. Na nossa sociedade não é aceitável maltratar, fisicamente punir ou berrar com as crianças, por isso porque é que tantas pessoas sentem a necessidade de fazer essas coisas aos cães? Punições físicas, intimidação e força apenas irão destruir a confiança e o respeito.

“Você não lidera batendo nas pessoas – isso é abuso não é liderança” – Eisenhower

3.Estabelecer Objectivos e um Plano

É importante saber e escrever aquilo que quer fazer e estabelecer objectivos realistas e que podem ser atingidos de forma a conseguir um plano de treino bem sucedido e eficaz. Estabelecer objectivos curtos e fáceis de atingir através de um plano de treino, fazendo mudanças onde é necessário e ser paciente de forma a permitir que a aprendizagem ocorra é o que grandes líderes fazem. Estabeleça objectivos que permitam que o cão seja bem sucedido e atinja com facilidade e o encorajam a brincar o jogo chamado “treinar”. Se você quer que o seu cão seja bem sucedido ajuda ter um plano muito bem pensado. Quando um cão é bem sucedido e recompensado pelo seu árduo trabalho, ajuda a construir a sua auto confiança e a construir um relacionamento forte entre o treinador e o cão. Quando o seu cão desenvolver um desejo de trabalhar, é uma situação em que todos ganham.
Um bom líder pode reconhcer quando as coisas correm mal durante o treino e podem tornar esses momentos em experiências de aprendizagem e formular um novo plano que irá tornar a próxima sessão de treino num bem sucedida. É importante apreciar as diferenças nos cães, retirar o melhor da força de cada um, e construir um plano de treino de acordo com cada cão.

Eu tenho um cão cruzado de Husky e dois Border Collies e não espero que o meu cão cruzado de Husky seja capaz de fazer alguns dos truques que os meus Border Collies fazem. Eu escolho truques que são aceitáveis para o seu tamanho e modifico-os assegurando-me que ele é capaz de fazer. Também não espero que ele aprenda ao mesmo ritmo que os meus Border Collies. Ele é no entanto, muito esperto e porque o ensinei a aprender, ela aprende os truques com muita rapidez. As pessoas podem pensar que ela é tão inteligente quanto um Border Collie. Eu estabeleço objectivos e planos de treino nos quais tenho a certeza que ela é bem sucedida em tudo o que lhe ensino.

“Um dos grandes testes de liderança é a capacidade de reconhecer o problema antes que este se torne uma urgência” – Glasow

4.Proporcionar oportunidades para aprender

Os grandes líderes dos cães proporcionam oportunidades para o cão aprender usando planos de treino bem pensados e guiando os cães na direcção certa. É importante dar ao cão a oportunidade de pensar por ele mesmo, perceber as coisas por si mesmo, e aprender sozinho. Assegure-se que o ambiente no qual o cão aprende é seguro e não causará regressão no treino, dano ou acabe por ser uma má experiência para o cão. Faça com os seus cães jogos que o fazem aprender e ajude-o a tornar confiante, seguro e bem ajustado.

“A educação é a mãe da liderança” – Wendell Willkie

5.Motivação e Diversão!

É importante ser capaz de motivar o aluno e criar valor por aquilo que o treinador quer porque isso é no melhor interesse do cão. O cão é recompensado através da brincadeira, comida, o ambiente e qualquer outra coisa que o seu cão considere valioso. Os bons líderes são creativos e sabem como criar diversão e serem imaginativos. Einstein escreveu: “imaginação é mais importante que o conhecimento”. A habilidade em pensar e ver as coisas de forma diferente permite aos líderes seguir novos caminhos na vez de seguir os outros. Procure novas formas de motivar e em retorno trilhe novos caminhos e novas possibilidades.

“A liderança é a arte de conseguir que alguém faça o que você quer porque ele o quer fazer” – Einsenhower

Concluindo, treine o seu cão a fazer o que você quer. Seja o seu guia ensinando-o comportamento apropriados e recompensando-o. O seu cão irá repetir tudo aquilo que é reforçado. Por isso, certifique-se que recompensa coisas que são aceitáveis ou ele irá encontrar por própria iniciativa coisas que o reforcem. Um exemplo disto são os cães que ladram às pessoas que passam por isso ser altamente reforçante, o seu trabalho será tornar o cão ficar quieto quando as pessoas passam ainda mais reforçante do que ladrar.

Você pode ser um bom líder Você pode fazer a diferença, promover mudanças, ser bem sucedido e ganhar o respeito dos seus colegas, amigos, vizinhos, crianças, maridos, esposas e sim até do seu cão sendo um excelente líder.

Por Pamela Johnson


Traduzido por:
Claudia Estanislau
Its All About Dogs


sexta-feira, 8 de junho de 2012

Positivo vs Punitivo



Positivo vs Punitivo artigo por Dr. Nicholas H. Dodman no website Dog Star Daily
Uma vez tive a honra de conhecer a ex primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, num evento universitário. Eu fui apresentado pelo presidente da universidade como o “comportamentalista animal” ao qual ela respondeu “Ah, sim, comportamento!, Realmente é a única coisa que interessa”. E ela tinha toda a razão, com a sua astúcia adquirida por anos de debate na casa do parlamento. O seu “trabalho” envolvia lidar com o comportamento ou falta deste daqueles no seu país e no estrangeiro.

O meu trabalho é lidar com o comportamento ou falta dele de outras espécies animais, em particular, cães, gatos e cavalos, e existem muitos paralelos entre uns e outros.

Uma das correntes controvérsias é a de ponderar se os métodos de treino punitivos, popularizado por William Koehler em 1960 e por um “mar” de treinadores que desde então adoptaram os seus métodos, oferecem alguma vantagem sob outros métodos de treino mais benignos, e até mesmo, se esses métodos serão “humanos”.

Do outro lado estão métodos não punitivos, ou positivos que usam técnicas como reforço positivo e reforço negativo. No contexto do treino canino positivo, estas técnicas são incorporadas num estilo de vida e num programa que inclui aumento do exercício físico, atenção à dieta do animal, instigar verdadeira liderança (não dominância) e enriquecimento ambiental.

O treino que envolve punição física tem sido popularizado por programas de televisão. É um clássico caso da mão mais rápida que o olho e engana apresentando resultados instantâneos. Infelizmente quem os pratica não estudou as consequências a longo termo e as evidências científicas é que o uso destas técnicas está associado de uma forma generalizado ao aumento dos problemas comportamentais.

O “treino positivo” por outro lado nem sempre produz resultados tão instantâneos porém os seus resultados a longo termo são benéficos na redução dos problemas comportamentais e no melhoramento do relacionamento entre o cão e o seu dono. Os princípios aprendidos podem também ser usados noutras espécies, incluindo gatos e cavalos e, provavelmente, humanos.

Dois vencedores de prémios Nobel, afirmaram independentemente que os efeitos do usos de punições e castigos não ensina um animal, nada mais do que a evitar o castigo; mas os proponentes destes métodos afirmam que este é necessário para obter respostas consistentes. Muitas vezes criticam treinadores positivos dizendo que os animais treinados apenas irão trabalhar para comida e que a omissão de punições é uma receita para o desastre. O que eles não entendem é a forma como cada recompensa pode ser usada para obter uma resposta consistente e também o facto de que treinadores positivos usam algo chamado castigo negativo, que é na essência inibir a recompensa.

Relembrando os resultados maravilhosos que se obtêm com golfinhos em catividade usando um clicker (apito) e um balde de peixe, ou as coisas extraordinárias que se conseguem treinar nos cães usando apenas métodos positivos, eu acho que os treinadores de métodos punitivos (tradicionais) deveriam reexaminar as suas técnicas, aprender mais e empregar mais métodos objectivos que incluam um follow-up.

Porque é que existe uma polarização em argumentos contra e a favor destas duas técnicas mão é claro, mas terá muito haver com o comportamento humano. Algumas pessoas parecem ter uma necessidade premente de aceitação e os métodos punitivos são exemplo disso. Algumas pessoas acreditam que punição física é necessária na educação de uma criança enquanto outros defendem legislações que tornem essas punições ilegais. A dicotomia pode ser explicada na base da experiencia individual de cada um e nalguns na necessidade extrema de exercer controle.

Uma coisa é certa, se você usa punição para atingir um determinado objectivo, a ameaça do seu uso e o seu uso ocasional serão necessários durante muito tempo para manter quaisquer ganhos que possam aparentemente ter tido através do seu uso. Faça a sua pesquisa antes de treinar o seu cão. Estar avisado é estar preparado quando decidir qual método é melhor.


Traduzido  por:
Claudia Estanislau
Its All About Dogs